Articuloides
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Articulóide

A Travessia

Quanto mais avançavam sobre o mar, mais os pontos de luz aumentavam — dezenas deles.
Depois, centenas.

Ferdinando diminuiu a velocidade.
As luzes piscavam em padrões suaves, como se quisessem transmitir emoções: calma, curiosidade, alegria.

E então, a forma de uma nova ilha emergiu da névoa:

A Ilha Zóio.

Era menor que a Ilha Articulóide — e viva de um jeito diferente.
Cada pedra, cada tronco, cada folhagem parecia mover-se muito sutilmente.
Até o ar parecia pulsar.

Pyra pousou primeiro na areia clara, e Ferdinando logo atrás.
Foi aí que viram:

Um ser de olhos enormes observando-os.

Era uma pedra viva — redonda, pequena e com olhos tão grandes que ocupavam quase todo o rosto. Ela não falou. Não gesticulou. Apenas olhou.

Um olhar cheio de curiosidade e ausência completa de medo.

Pyra sentiu algo caloroso no peito.

— Eles… não falam. Mas eu consigo sentir o que querem dizer.

A pedra piscou devagar, transmitindo uma sensação inequívoca:

“Bem-vindos.”